09 junho, 2009

Onde vamos parar?

O rouge virou blush,

O pó-de-arroz virou pó-compacto,

O brilho virou gloss,

O rímel virou máscara incolor;

A Lycra virou stretch,

Anabela virou plataforma;

O corpete virou porta-seios …

Que virou sutiã …

Que virou lib …

Que virou silicone!

A peruca virou aplique … interlace … Megahair … Alongamento!

A escova virou chapinha,

‘Problemas de moça’ viraram TPM;

Confete virou MM;

A crise de nervos virou estresse,

A chita virou viscose,

A purpurina virou gliter,

A brilhantina virou mousse…

Os halteres viraram bomba,

A ergométrica virou spinning,

A tanga virou fio dental…

E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê:

Ping-Pong porque virou Bubaloo,

O à-la-carte porque virou self-service,

A tristeza porque agora é depressão,

O espaguete porque virou Miojo pronto,

A paquera porque virou pegação,

A gafieira porque virou dança de salão,

O que era praça virou shopping,

A areia virou ringue,

A caneta virou teclado,

O LP virou CD,

A fita de vídeo é DVD,

O CD já é MP3,

É um filho onde eram seis,

O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail,

O namoro agora é virtual,

A cantada virou torpedo,

E do ‘não’ não se tem medo,

O break virou street,

O samba, pagode

O carnaval de rua virou Sapucaí,

O folclore brasileiro, halloween

O piano agora é teclado, também…

O forró de sanfona ficou eletrônico,

Fortificante não é mais Biotônico,

Polícia e ladrão virou counter strike,

Folhetins são novelas de TV,

Fauna e flora a desaparecer,

Lobato virou Paulo Coelho,

Caetano virou um pentelho,

Baby se converteu,

RPM desapareceu,

Elis ressuscitou em Maria Rita?

Gal virou fênix,

Raul e Renato,

Cássia e Cazuza,

Lennon e Elvis,

Todos anjos

Agora só tocam lira…

A AIDS virou gripe,

A bala antes encontrada agora é perdida,

A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante,

O professor é agora o facilitador,

As lições já não importam mais,

A guerra superou a paz,

E a sociedade ficou incapaz… de tudo.

Inclusive de notar essas diferenças.

Luiz Fernando Veríssimo

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